Margem Bruta: Para onde está indo o valor no software de IA

Em resumo: o custo marginal quase zero do SaaS acabou. A inferência torna o COGS variável e comprime a margem bruta. Restam duas alavancas: otimizar a infraestrutura e cobrar por resultado. A receita de IA não terá a qualidade da do SaaS, e tudo bem. Desde que seja aposta consciente, não vazamento de custos, vale aceitar margem menor para construir o que dura.

Em 2024, escrevi um post “Sobre Margem Bruta trazendo a ideia de que a margem bruta é o principal indicador da captura de valor da entrega do produto, e é o centro da eficiência do modelo de negócio. Por isso, o LTV(lifetime value) de um cliente deve ser calculado sobre o lucro bruto, não sobre a receita. Agora, a física por trás desse indicador está mudando e afeta todo o DRE.

O fim do custo marginal zero do SaaS

O SaaS clássico ‘foi’ um modelo excelente porque tinha custo marginal próximo de zero. Uma vez construído o produto, atender mais um usuário não custava quase nada, basicamente apenas alguns custos de hospedagem. Era daí que vinha a margem de 80% a 90% que o mercado se acostumou a tratar como padrão do SaaS. Maravilhoso.

Agora, com modelos de negócios baseados em IA, isso muda. A cada interação do usuário com a IA, o modelo roda e consome tokens, tempo de GPU e chamadas de API. O treino do modelo é um custo de capital único, mas a inferência é uma despesa operacional contínua, e ela representa de 80% a 90% desse custo.

O que está acontecendo é que o preço por token dos modelos de fundação caiu, cerca de mil vezes em três anos. Mas o consumo disparou e tende a disparar ainda mais, por exemplo, com os fluxos agênticos cada vez mais complexos sendo criados a todo instante. É o Paradoxo de Jevons aplicado ao software sobre o qual tenho comentado, que ficou mais barato por unidade e mais caro no total.

Então, o COGS em empresas AI-first de Software virou na sua maioria variável, escala com o uso e muda a natureza do modelo de negócio.

Ainda não está claro qual patamar cravar como benchmark de margem bruta de uma empresa AI-first, e os dados agregados explicam por quê. Isso porque diversas placas tectônicas abaixo do software (energia, data centers, infraestruturas, Foundation Models) estão se movendo todo dia, e rapidamente, além de muita otimização sendo possível.

Vale o contraponto que o relatório Beyond Benchmarks 2026 da Emergence (que compartilho como leituras interessantes abaixo, também), com P&Ls de mais de 10 mil empresas, mostra que a margem bruta mediana não caiu, mas ela subiu de 3 a 5 pontos entre 2023 e 2025, terminando entre 68% e 72%. Primeiro, o relatório é de empresas AI-Native. Nas palavras deles, “the data does not fully support [inference eating margins] yet”. O “yet”(ou “ainda” em português) é a palavra que reforça o ponto que não está claro.

Isso também pode acontecer porque sabemos que muitas empresas early-stage costumam ser subsidiadas com créditos de nuvem (AWS, GCP, Azure, OCI), e agora compute (basicamente NVIDIA, ou até consórcios com VCs e outras big techs). Essa arbitragem de créditos acaba e as empresas precisam confrontar com os reais custos de infraestrutura (que também tende a comoditizar no longo prazo).

Com isso, as apostas estratégicas de médio e longo prazo precisam ser pensadas dos dois lados: o do modelo de receita e o da infraestrutura de IA. É isso que vai redefinir a margem bruta, o fluxo de caixa e, por fim, os valuations. Sabendo que isso vai mudar, é preciso abraçar essa mudança e buscar a captura de valor em outras alavancas, como aumento de TAM, NRR(Net Revenue Rate), redução de CAC com maior adoção e conversão de clientes, como exemplos.

O que o mercado de capitais está questionando e os CFOs estão respondendo

Eu gosto de ouvir o que o mercado de capitais e as grandes empresas de tecnologia estão perguntando e respondendo, nesse caso sobre margem bruta, para buscar uma pista do que pode ser o futuro de empresas de software que usam ou vendem IA. Algumas coisas que capturei de interessante (em tradução livre):

ServiceNow

Na conferência da ServiceNow, a analista Gabriela Borges (Goldman Sachs) questionou diretamente a CFO sobre a pressão na margem de lucro bruto: “Quanto do tailwind na margem bruta proveniente de custos de inferência de LLM e chamadas de API é temporário versus estrutural?”.

Resposta da CFO: “A maior parte disso é, na verdade, nosso foco muito estratégico em mudar mais para hyperscalers que têm margens brutas ligeiramente mais baixas neste estágio do jogo […] estamos compensando qualquer vento contrário abaixo da linha com eficiências.” Ela garantiu ainda que a empresa manterá um “aumento contínuo de margem na linha de base (bottom line), tanto de uma perspectiva de margem operacional quanto de fluxo de caixa livre.”

Snowflake

Na teleconferência da Snowflake, o analista Matt Hedberg (RBC) notou que as margens brutas da empresa caíram cerca de um ponto no ano e perguntou: “Com todos os investimentos que vocês estão fazendo, vocês sentem que a casa dos 70% médios é um lugar estável para as margens brutas, especialmente olhando para daqui a alguns anos?”.

A resposta do CFO da Snowflake, Brian Robbins, confirma a pressão da IA na margem, mas sinaliza que pretende compensá-la com eficiências no negócio principal: “Nós lançamos muitos produtos novos de IA. O perfil de margem para eles neste momento não é tão alto quanto o negócio principal. Estamos compensando isso encontrando mais eficiências no negócio principal. […] Faremos o que for certo para impulsionar o crescimento e equilibraremos isso em toda a linha, no nível da margem operacional.”

Datadog

Na Datadog, que é uma plataforma de observabilidade, o analista Howard Ma (Guggenheim) levantou um ponto interessante sobre heavy users e mercado de empresas nativas de IA: “Os grandes clientes nativos de IA são significativamente diluidores para a margem bruta? E ao pensar no guidance inicial de margem para 2026, quanto disso reflete uma margem bruta potencialmente menor ligada a esses clientes versus investimentos incrementais?

A resposta do CFO da Datadog, David Obstler, negou que as cargas de IA representem um dreno desproporcional por si só: “Em uma média ponderada, eles não são. Como sempre dissemos, para clientes maiores, não se trata de ser nativo de IA ou não nativo de IA, tem a ver com o tamanho do cliente. Temos uma base de clientes altamente diversificada. […] E há investimentos contínuos e consistentes em nossa margem bruta, incluindo data centers e o desenvolvimento da plataforma. Portanto, eu diria que é mais ou menos o que vimos nos últimos anos, não sendo realmente afetado por [serem clientes] nativos de IA ou não.”

Os três dizem, no fundo, a mesma frase que a margem cai em cima(na margem bruta), mas buscam segurar embaixo(no bottom line). A questão é se isso é eficiência de verdade ou apenas reclassificação entre linhas de custo.

COGS: Entre a eficiência e a reclassificação

O maior degrau de margem é, de fato, a inferência e as chamadas de API, algo entre 4% e 9% da receita. Porém, o que me parece menos olhado são outros custos, que antes eram considerados apenas despesa, mas que agora são custo direto e obrigatório para produzir valor.

Além das chamadas de API de LLMs e custos de inferência, tem os bancos de dados vetoriais, de 1% a 3% da receita, que são a infraestrutura de contexto e recuperação cada vez mais relevante. Também são esperados custos de observabilidade, de 0,5% a 1,5%, porque uma carga de IA gera de cinco a dez vezes mais volume de rastreamento que um software comum, e sem isso você não sabe o que o modelo está fazendo nem por que quebrou. E tem a engenharia de avaliação, de 1% a 3%, os times que existem porque os modelos de fundação mudam toda semana e o produto degrada sem manutenção contínua. Historicamente, isso seria classificado como P&D discricionário, mas não é mais.

Para sobreviver a essa compressão, na parte de COGS, é preciso repensar a arquitetura e engenharia do produto. As empresas estão sendo forçadas a fazer duas coisas em paralelo. A primeira é otimizar a infraestrutura, usando roteamento, caching e direcionando para modelos menores, proprietários e mais baratos para as tarefas simples, e reservando os modelos de fronteira para o que de fato exige, além de usar hardware mais baratos.

Para empresas de software, o redirecionamento e modelos proprietários são onde pode estar uma vantagem competitiva. O resto, hoje, me parece mais simples de replicar ou está mais disponível no mercado.

Se vender software de IA é atrelado a inferência, segunda coisa é sobre como precificar.

O que está mudando na receita das empresas AI-first

A segunda alavanca é reestruturar o modelo de negócio. Dado esse cenário de custos, as duas formas mais claras de precificar hoje são em relação ao custo (cost-based) ou ao valor (value/outcome-based). Nenhuma das duas é ainda a forma mais usual de comprar software, mas a que mais alinha cliente e fornecedor parece ser cobrar atrelado a um resultado. O cliente paga um pedaço do ROI que recebe, e o fornecedor desatrela a entrega de valor do custo variável linear, ganhando margem.

Mas existem diversos desafios evidentes, como definir claramente o que é o resultado esperado e garantir que de fato ele vai gerar valor para o cliente.

Outro desafio, que pode se juntar a esse anterior, é que conselhos e CFOs tradicionalmente buscam previsibilidade orçamentária. O CEO da ServiceNow relatou um caso emblemático em que a plataforma substituiu um sistema de CRM legado e gerou uma economia brutal de US$ 682 milhões para o cliente. Nesse caso, se o fornecedor pedisse uma porcentagem desse “resultado”, a fatura seria estratosférica. O próprio CEO contou que ofereceu cobrar uma porcentagem dos US$ 682 milhões economizados, e foi o cliente que recuou, dizendo preferir a previsibilidade da cobrança por assentos. Não será trivial, e os compradores deverão resistir. Ou seja, se a IA for boa demais, os compradores, principalmente as empresas maiores, vão exigir o modelo fixo para reter todo o excedente de valor para si. Para mim, isso é o verdadeiro pricing power de SaaS hoje em dia. Acredito que será um cabo de guerra nas negociações corporativas, em breve.

Esse assunto deve fazer parte da discussão de todo processo de GTM e design organizacional. O outcome-based pricing muda drasticamente a forma tradicional de como os Executivos de Contas(AEs) de Software são tradicionalmente comissionados. Se a receita depende do sucesso contínuo da IA, como o vendedor dimensiona um negócio no momento da assinatura? Como ele ganha comissão sobre algo que só vai gerar faturamento ao longo dos meses e que depende da assertividade do produto? Isso transfere o peso da receita de vendas para as equipes de Customer Success ou para os Forward Deployment Engineers, e exige uma reestruturação organizacional de toda a empresa.

Como olhar para a Margem Bruta

A saída que vejo é em um caminho pragmático. O consumo de tokens tem emergido como a unidade que o usuário entende para orçar e enxergar a troca de valor, e isso ajuda. Cobrar por proxies de resultado, como volume de conversas ou ticket resolvido, costuma ser mais limpo do que cobrar por resultado puro, cuja atribuição é cara e arriscada. Modelos híbridos, com base fixa mais consumo, equilibram os dois lados. Eu tenho tido mais perguntas que respostas ultimamente.

No fim, a qualidade da receita de produtos de IA não será como a do SaaS, e tudo bem. Acredito que, neste momento, as empresas precisam abraçar uma margem menor para avançar em mercados e construir o que de fato dura e protege o negócio lá na frente, como loops de dados, posicionamento e relação de longo prazo com o cliente. É o que as AI Supernovas estão fazendo, e já vimos a mesma estratégia em outros modelos, aceitar margem baixa para acelerar escala e efeitos de rede. Só é crucial existir essa vantagem competitiva no médio e longo prazo. Porque essa vantagem competitiva existe de verdade no médio e longo prazo. Porque margem baixa, como escrevi em 2024, continua sendo uma aposta legítima. Desde que você saiba, e consiga provar, que é uma aposta, e não uma espécie de vazamento. Isso realmente tem valor.

SaaSpocalyspse / junho/26 – Apresentação do Venture Innovation Summit

Em fevereiro de 2026, o software perdeu US$ 1 tri em poucas semanas. A tese do momento virou “IA vai matar o SaaS”. E vimos Hedge funds shorteando, múltiplos no piso histórico.

Tive a honra de ser convidado pela Anjos do Brasil para falar desse “SaaSpocalypse” e discutirmos:
– Qual é a fundamentação dessa narrativa? Muita coisa está mudando, e algumas são exageradas. Eu trouxe uma análise usando o framework dos 5T’s (TAM, Tech, Team, Terms e Trenches).
– O que devemos levar em conta como investidores do Brasil? O jogo está diferente, mas ainda a complexidade operacional, regulação e distribuição proprietária local do Brasil são grandes oportunidades…
– O que podemos aprender com o SaaSpocalypse? Para uma melhor avaliação em empresas de software, sempre foi sobre crescimento, e, agora, como está posicionada para IA.

Abaixo está a minha apresentação completa.

Se quiser baixar o PDF, você pode fazer acessando o meu post no Linkedin.

Monthly Recap de Maio/26 | Conversas abertas / notas de campo

Esse texto foi inicialmente enviado na edição Monthly Recap – Abril/26 da newsletter da DealflowBR.

Sobre como encontrar investidores

Recebi uma pergunta no X sobre como encontrar investidores. Respondi rápido por lá, mas vou aproveitar para deixar mais claro por aqui.

Eu vejo que as quatro formas de encontrar investidores para abrir conexão e construir o seu pipeline com investidores são:

  • a) Sua rede: Primeiro, vasculharia o próprio Linkedin, X, CRMs tentando encontrar tanto investidores VC, anjos, como founders e executivos que possam abrir portas ou até serem anjos. São pessoas que você já interagiu ou se conectou em algum momento. Mapearia essas pessoas dentro de diferentes “tiers”, como, por exemplo:
    • 1) Aliados e FFF(amigos e familiares próximos): Pessoas que genuinamente gostam de você, têm uma relação ótima, e que além de avaliar a sua oportunidade, podem abrir outras portas e falar bem de você nos bastidores.
    • 2) Colaboradores: Pessoas que já colaboraram no passado, ou atualmente, que podem te ajudar.
    • 3) Contatos frios: Alguma vez se conectaram. Eventualmente, a porta está aberta.
  • b) Por introdução (warm intros): Eu já falei bastante sobre a importância da introdução em VC. Recomendo a leitura deste meu texto para entender como buscar e priorizar na busca com introdução.
  • c) Inbound: criar conteúdo que chame a atenção e gere leads de investidores para conhecer.
    • Não esquecer do básico, coisas como: cadastros em Crunchbase e fontes de dados para ferramentas de VCs. Atualizar o Linkedin e deixar claro (usar “stealth” atrai curiosos). Atualizar o website.
    • Depois é criar uma campanha mais avançada de criação de conteúdo e geração de atenção do mercado investidor. Seja thought leadership, eventos etc… Eu pergunto: “Qual é o ativo de informação que só você, operando neste espaço, pode produzir para gerar valor a investidores?”
  • d) Cold outreachs: Essa é a forma mais difícil, mas é possível. VCs recebem milhares dessas, aleatórias.
    Eu diria que é muito difícil ir direto ao fundraising, ou pedir dinheiro, em tentativas de cold outreach. Porém, essa forma de approach tende a funcionar para abrir relacionamento e se conhecerem.
    Mensagem como essa, por exemplo, tende a funcionar mais(seja mais criativo e autêntico na mensagem) : “estou indo para *sua cidade*, adoraria conhecer os investidores da “nome firma de VC” e apresentar o que estou construindo”.

Agora, alguns comentários adicionais, aproveitando o assunto:

Temos que lembrar que fundraising é uma atividade chave do CEO/cofounder e, por isso, se realmente quer levar a empresa para a trilha de VC, terá que levantar rodada a cada uma dúzia de meses. E, portanto, como CEO, você deve ter em sua agenda de conversas, e de nutrir esses investidores.

Digo isso porque existe uma boa diferença entre “onde acho investidores” e “como construo o pipeline de conversas que vai me sustentar pelos próximos anos”. Isso, e a necessidade de protagonismo e capacidade do CEO/Cofounder em relação à jornada de venture capital de sua startups, são as principal críticas em trazer um advisor que para abrir conexões com VC no começo. O CEO/cofounder deve estar a frente e liderar esse processo.

Pensando mais a fundo aqui, o sucesso de uma captação é uma equação de status social vezes número de investidores contatados. O status é a nível de fluidez com que você entra para dentro do dealflow do investidor (alguns fatores, momentum, FOMO, força da tese, histórico dos founders etc…). O número o topo de funil, é uma questão de “numbers game”, como um funil de vendas. É preciso de um grande topo de funil para converter até fechamento.

Na minha lista, os meios a) e o b) de encontrar investidores geram resultados mais rápidos, mas precisam de status social ou de redes amplas de relacionamento para funcionar.

Então, no geral, o ideal é começar o quanto antes a construir essa rede de investidores, criando conexões genuínas e honestas com investidores que gostaria de ter no seu pipeline e captable no futuro.


Sobre valuation em rodada anjo e pré-tração

Nos últimos meses, tenho olhado rodadas de investimento anjo e conversado com vários destes tipos de investidores. Algumas dessas trocas falam sobre valuation neste momento de primeira rodada, e o que pode ajudar founders a entender e como definir.

Isso que estou comentando vale para uma startup em rodada inicial, em pré-tração, quando está testando protótipo ou POCs com poucos clientes, e buscando o capital para construir o produto e ir ao mercado.

A verdade é que não existe muita evidência explícita ou informação simétrica sobre o valor da empresa nesse momento. Como VC ou anjo super early stage, que constrói um portfólio baseado em lei de potência, você só compra uma opção de participar ou assento em uma empresa que, baseado em pouca evidência, espera que dê certo.

Na minha visão, o que diferencia se o valuation é $1mn, $2mn, $3mn ou $5 milhões nesse momento inicial, tem a ver com o risco e retorno que o investidor está assumindo ali.

Um fator importante, antes de listar a perspectiva do investidor, tem a ver com o montante de capital que quer levantar e a diluição de captable. Nesse momento, benchmarks dizem algo em torno de 10%-15% de diluição para cofundadores. Esses fatores também implicam no perfil de investidor que está buscando para essa primeira rodada.

Alguns fatores que podem ajudar a entender valuation:

  • capacidade e evidências do founder de materializar o capital, ou uma história de demonstração de alocação do capital investido e entrega. Um caso usual do mercado sobre isso, por exemplo, é que um time de cofounder de segunda viagem na jornada de VC tende a reduzir esse risco de execução pois sabem gerencia, alocar e captar Venture Capital.
  • As chances de o time cofundador conseguir levantar uma boa rodada subsequente, maior, com bons investidores em menos de uma dúzia de meses. (Esse ponto tem muito a ver com meus comentários finais da nota de campo acima “Sobre como encontrar investidores”)
  • Momentum. Demonstrar crescimento e tração de uso e receita do MVP, que demonstra que estará facilmente em um patamar de receita amplo.
  • Tese e potencial da oportunidade (entre categoria, mercado/TAM e tendências). Nesta tese, é possível criar uma empresa de enterprise value de R$ 200mn (small cap VC / early-exits ou de U$2bn (VC track)? Ambos são possíveis e geram retorno. É só saber qual jogo estamos jogando.

Um ponto importante para entender é que o preço do valuation é geralmente dado pelo mercado. Não quero dizer necessariamente que você deve esperar o mercado te dar o preço do valuation da sua rodada, mas que o preço que você define, junto com o seu fundraising, vai dizer sobre quão desafiador ou não vai ser levantar a rodada. Isso porque, o investidor só vai saber se o valuation inicial foi bom daqui a 18 meses ou na próxima captação.

Então, esses pontos levantados acima resumem bem o que é um bom investimento anjo. A oportunidade ideal de um investimento anjo é a que combina esses fatores. Se o time de cofundadores tem a capacidade de construir o Capital como Vantagem, isso aumenta muito a chance de serem os vencedores daquela categoria.

Tenho notado ao longo do tempo que a dificuldade em anjo, pre-seed e seed é normal, e diz muito sobre a resiliência e velocidade de aprendizado e construção de capacidades do founder. Até o Jeff Bezos comenta que levantar o seu Seed foi a fase mais difícil que ele passou na Amazon.