Eu recebo bastante contato de pessoas buscando entrar no mercado de VC. Acabo que algumas eu acabei nem respondendo :/. Agradeço as mensagens e são por elas que eu dedico esse post.
Essas são algumas notas vivas sobre esse assunto que compartilho com as pessoas que querem entrar em VC. Essas são referências e coisas que funcionaram para mim lá atrás, e não o único caminho, porque conheço muitas pessoas que tiveram caminhos de carreiras diferentes (como consultores, estágios, mercado financeiro, empreendedor etc…).
Primeiro, eu acredito muito na forma de gerar valor antes.
A melhor forma, na minha opinião, é ‘fingir’ que é um VC. Basicamente, como um VC faz, ajudando founder a terem sucesso ou ajudando investidores a encontrar as melhores Startups.
Você pode entrar de cima, investindo capital próprio, construindo a sua gestora, montando seu track-record e depois captando novos fundos. Para isso, você precisa de bastante capital.
Quando se entra de baixo, como júnior, o principal trabalho é construção, filtros e processos do funil de investimento. Ter conforto, gostar de conversar com empreendedores e, além disso, ter acesso e conexão a novas oportunidades/novos empreendedores é muito importante. É um processo de se desenvolver um aprendiz (apprenticeship), onde deverá estar aberto a construir sua reputação, teses e convicção.
Criar bagagem e oferecer uma espécie do seu freemium para o ecossistema.
Crie e gere valor para os outros antes de receber. A ideia é que você vai receber de volta lá na frente. O mercado de VC funciona na base da confiança e da geração de valor como forma de construir reputação.
Foi assim que entrei na indústria, após uma carreira média em finanças corporativas (M&A e Strategy Finance). Construa uma rede de relacionamento entre investidores e empreendedores, e mostre que pode gerar valor a elas. Ajudando algum VC ou Startup, mesmo que de forma voluntária – com indicação de pessoas talentosas, oportunidades ou algum outro serviço. De fato, criar valor antes de pedir algo, e mostrar que você agregaria valor desde o primeiro dia. Tenha acesso ao ecossistema e se engaje com empreendedores – pode ser ajudando de alguma forma com revisão de produtos, conexões, construção de planos operacionais em conjunto.
É um processo longo. A melhor forma é:
- Construir expertise, uma tese e sua prova de valor.
- Networking diferenciado para um fim específico (não qualquer um, mas uma rede específica)
- Começar a originar deals e gerar insights únicos (hacks de indústrias, GTM, padrões etc…)
Se puder, faça alguns investimentos anjo.
Podem ser cheques pequenos (R$ 5 mil ou R$ 10 mil). Mas participe do processo inteiro, e construa relacionamento com empreendedores, entenda suas necessidades e dores, principalmente, no dores de capital. Neste caso, se puder ajudá-lo a captar, você já vai construir relacionamentos com pessoas do mercado.
Estude e aprenda muito sobre investimento de VC e tecnologia (risco vs. retorno, valuation), e empreendedorismo digital. Para saber fazer tem que entender um pouco da dinâmica de founders, Captables e stage investing etc…
- Blog e Podcasts: No meu blog, eu compartilho links que leio e escuto. Se olhar direito há alguns que eu costumo a compartilhar mais que são as minha fontes de conteúdo. https://dealflow.substack.com/
- Aqui você tem listas de fundos atuantes no Brasil: https://dealflowbr.com/ferramentas-para-empreendedores/
- Bons livros básicos:
- Venture Deals
- Power Law
- The Business Of Venture Capital
- Recomendo o curso gratuito do livro Venture Deals (abrem semestralmente os grupos do curso): https://venturedeals.techstars.com/
- Recomendo sempre olhar e monitorar as vagas disponíveis na rede do EmergingVC Fellows: https://www.emergingvcfellows.com/vagas-para-vc … Mas pensaria seriamente em levar a bagagem na frente e depois criar os relacionamentos. É a forma que funcionou para mim.
De novo, é importante construir uma expertise e/ou diferencial. Vale se aprofundar em uma tese, indústria ou em uma forma de ajudar founders.
Esse é um longo caminho e exige muita paciência, e propósito.
Eu mesmo já estive próximo de empresas em exit, rodadas séries-A, B e C e assim como vi empresas fecharem ou se desfazerem por problema de sócios. É um ciclo longo. O que quero dizer para quem está começando é que, é importante ter em mente que é um negócio de longo prazo para colher os frutos (falando especialmente de dinheiro) – é preciso paciência e persistência, e algum propósito por trás, pois provavelmente você verá seus pares da faculdade ganhando dúzias de salários de bônus no mercado financeiro. Se em 10 anos você virar o partner de uma firma de VC, que tenha um fundo bem sucedido, talvez você recupere (talvez os seus investimentos anjos que você fez no início da carreira possam começar a te ajudar nessa matemática de entrada de dinheiro). Junto a isso, vale lembrar que VC é um negócio de alto risco, e apenas uma fração dos fundos consegue esse retorno. É muito difícil a garantir um sucesso financeiro da sua carreira antes desses 10 anos. Se busca algo mais rápido, é mais fácil de encontrar em consultoria ou com os seus pares em banco de investimentos, ou trabalhar por conta própria (empreender, freelancing etc…).
Outras referências:
- Esse vídeo do Rodrigo Baer (fundador de firmas de VC) explica bem o mindset e a jornada necessários para entrar : https://www.youtube.com/watch?v=ZjyhldBGhlE&feature=youtu.be
- Bom mapeamento de habilidade e atividades por cargo e áreas de firmas de VC: https://medium.com/saison-capital/what-you-need-as-a-vc-benchmarking-skills-across-venture-capital-jobs-titles-1c8fd3f8473c

