Fiz uma análise rápida da “safra de 2014-2016 de startups que receberam funding early stage” — ou seja, empresas que receberam rodadas de anjo a Series A entre 2014 e 2016, no Brasil. Essa safra completa 10 anos desde seu funding early stage, acompanhando também os ciclos dos fundos de VC, sendo, portanto, um bom período para tentarmos entender o potencial dessa geração.
Meu objetivo inicial foi de buscar entender, se VC atua em Lei de Potência, onde 10% das empresas trazem a grande maioria do retorno, qual é a mediana de uma saída/exit top 10% da safra para o VC? Além disso, qual outros insights rápido é possível sobre essa safra de Power Laws?
Ao analisar as saídas anunciadas dessas empresas (M&A ou IPO):
Usei dados do Crunchbase, ajustados para R$. A safra 2014-2016 possuem 645 empresas cadastradas que receberam alguma rodada early stage (de anjo a Series A) nesse período – algumas receberam mais de uma rodada. Dessas empresas, 99 tiveram exit anunciado nos anos posteriores. E daí eu busquei analisar essas empresas para entender o Power Law do VC dessa safra:
Os resultados são:
- 10% dos maiores exits por valor de M&A/IPO foram:
- Nubank (IPO) (2021): R$ 233bn
- Pismo (2023): R$ 7bn
- 99 (2018): R$ 3,5bn
- Zenvia (IPO) (2021): R$ 2,86bn
- Enjoei (IPO) (2020): R$ 2,0bn
- RD Station (2021): R$ 1.9bn
- Neoway (2021): R$ 1.8bn
- Remessa Online (2021): R$ 1.2bn
- Méliuz (IPO) (2020): R$ 1.15bn
- Zoop (~2021): R$ 1bn (estimado)
1.1) Mediana dos TOP 10 exits:
R$ 1,9 bilhão
1.2) Média dos TOP 10 exits:
R$ 25,37 bilhões (efeito Nubank como outlier)
Para os Top 10 exits, os montantes de Total Funding Amount (em USD) são:
- Mediana: US$ 55,1 milhões
- Média: US$ 481,6 milhões
Insights sobre as Top 10 exits: Timing e janelas de IPO são importantes para isso
- IPOs são relevantes: 4 foram IPOs;
- Duas saídas ocorreram antes da COVID-19 (Zup e 99);
- Uma saída ocorreu após a COVID-19: Pismo.
Um grande insight para mim é que, de acordo com o estudo, as empresas que figuraram no Top 10 exits de maior valor de transação (IPO ou M&A) desse vintage foram as 15 empresas que mais captaram recursos de VC em toda sua jornada.

Essa análise traz um panorama, mas não conclui necessariamente o potencial de retorno para os fundos de VC, pois há variáveis, como extensão dos fundos dessa safra para maturação dos investimentos ou vendas secundárias não mapeadas, que ocorrem ao longo do caminho.
Outro ponto a se considerar é que o cenário de VC mudou após 2018, com o surgimento dos primeiros unicórnios e quando o flywheel de valor do ecossistema local completou seu ciclo. Pretendo estender a análise para outros vintages e outras perspectivas.
Por fim, é importante ressaltar: esses são dados do Crunchbase com algumas pesquisas adicionais realizadas no Perplexity, e eu normalizei os valores de dólar para real. Não são as fontes mais confiáveis e considero que os números são somente aproximados, portanto, vale o disclaimer: todas as opiniões aqui expressas são minhas e não refletem necessariamente a visão da gestora pela qual trabalho. São opiniões do autor, com o único objetivo de promover conhecimento e discussão, NÃO sendo qualquer tipo de recomendação de investimento. Fique à vontade para discutir comigo nos comentários ou respondendo a este e-mail.
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Aproveitando a questão de startups de maior sucesso em Venture Capital, recomendo a leitura do post sobre o Mini S-1.










